Como trabalhar em casa com bebê pequeno e ser produtiva

O segredo de milhões! haha
Será que tem como trabalhar em casa com bebê pequeno e ser produtiva?
Melhor ainda: tem como ter uma vida equilibrada nessa fase?

Hoje vou trazer aqui a minha experiência enquanto mãe de primeira viagem de um bebê que tem, nesse momento, 53 dias (menos de 2 meses ainda) e como estou fazendo para conseguir manter a casa em ordem e trabalhar, conseguindo entregar minhas demandas para os clientes e as demandas dos meus projetos também.





POR ONDE COMEÇAR?


A primeira coisa que precisamos ter em mente é que não dá mais para basear nossa rotina antiga com a nova. É inviável fazer uma comparação e querer que ela seja igual.

Mas, não é impossível manter uma rotina com o bebê.

E vale lembrar que a rotina não é um cronometro de horas e atividades, mas sim, momentos para fazer as tarefas necessárias que façam com que seu dia e o de sua família possa fluir melhor.

Além disso, bebês gostam de rotina. Porque eles gostam de saber o que vem depois.

Por isso, o primeiro passo é começar a estruturar uma rotina após um tempo (passados os primeiros 10 dias de caos, onde vocês dois, mãe e bebê, ainda estão se conhecendo).

PRIORIDADE


Eu sei que precisamos trabalhar para ajudar em casa e também para nossa própria autonomia, mas agora, nossos filhos são a nossa maior prioridade.

Por isso, é importante partir desse ponto: a rotina dele e então o que você consegue fazer com ela.

Seu trabalho agora não será mais uma sequência, mas sim um quebra-cabeças.

Você vai precisar encaixar suas atividades ao longo do dia, por isso, exige muita atenção para você não querer fazer coisas demais ou coisas que levam tempo demais.


MONTANDO A ROTINA COM SEU BEBÊ


Defina um horário para começar e terminar o dia com seu bebê. E essa definição terá sempre a palavrinha "entre".

Abaixo anotei como eu faço na minha rotina nesse momento.

Lembrando que vai variar de cada bebê e ambiente que você vive. Eu tenho apoio do meu marido quase sempre, mas na maior parte do dia sou eu quem está com ele.

MANHÃ
  • Entre 6h30 e 07h30 acordar - trocar o bebê e amamentar
  • Entre 7h30 e 8h00- atividade com o bebê
  • Entre 8h30 e 9h00 - rotina da primeira soneca do dia
  • entre 9h30 e 11h00 - enquanto bebê dorme vou fazer atividades X e Y (dependendo do dia eu organizo a casa ou faço atividades do trabalho)
  • Entre 11h15 e 11h45 - trocar bebê e amamentar - depois deixar ele interagindo com música ou brinquedos
  • Entre 12h00 e 12h45 - fazer almoço
TARDE
  • Após almoço - iniciar rotina da segunda soneca do bebê - aqui dura uns 45 minutos - enquanto isso eu organizo o que consigo da cozinha/sala
  • Entre 14h00 e 15h00 - trocar bebê, atividades com  ele - preparo para a terceira soneca
  • Entre 15h30 e 17h00 - enquanto ele dorme eu trabalho
  • Após ele acordar fico com ele - troco, e deixo ele no ócio - sem interagir muito pra ele ter tédio também.
FIM DA TARDE
  • Entre 17h30 e 19h00 - fico em função do bebê, quase sempre ele quer mais colo, chora mais e fica um pouco agitado - com isso, aproveito para colocar musiquinha calma, converso com ele, faço massagens, mudo ele de posição, caminho pela casa e diminuo as luzes para iniciar o ritual da noite.
NOITE
  • Entre 19h00 e 20h00 - banho com musica lenta e massagem relaxante, coloco roupinhas bem confortáveis - nada de body pra não apertar a fralda durante a noite - tiptop leve mas quentinho.
  • Entre 20h00 e 21h00 - amamento, fico nanando ele no colo e coloco no berço antes dele dormir, para acostumar ele a ter autonomia do sono, em 90% das vezes ele dorme "sozinho" - eu fico cantando perto dele com a mão no peito ou fazendo cafuné.
  • Entre 21h30 e 22h30 - eu janto e finalizo alguma coisa que tenha ficado pendente do trabalho
FIM DA NOITE
  • Entre 22h30 e 23h00 eu tomo banho e organizo o que estiver fora do lugar para começar o dia com a casa minimamente em ordem;
  • Até 23h30 estou na cama para aproveitar e dormir - normalmente ele dorme um sono direto até por volta da meia noite e meia.
  • Rotina da madrugada: ele desperta 1 ou  2 vezes para mamar, tento não trocar fralda se tiver só com xixi para não estimular ele a acordar.
  • E por volta das 5 ou 6 da manhã ele desperta a ultima vez, onde o faço dormir mais uns 30 a 45 min antes de começar a rotina do dia novamente.
Esse é o meu atual cronograma, quase sempre funciona, tirando alguns momentos em que tenho compromisso fora ou que ele está passando pelos saltos de desenvolvimento e dorme menos durante o dia (sonecas mais curtas)

E como eu falei: essa é a minha rotina, baseada nas minhas necessidades e responsabilidades. Eu também tenho quase sempre o suporte do pai dele durante o dia porque ele trabalha durante a noite.

Cada caso é um caso, mas o que digo é que é importante ter uma rede de apoio. Caso você não tenha ninguém, crie rotinas e siga firme com elas, lembrando de adaptar elas conforme seu bebê for crescendo e precisando de novas demandas.

Eu sei que daqui 2 meses já vou precisar mudar algumas coisas porque ele já vai estar com autonomia maior para brincar e não vai mais aceitar ficar no carrinho/berço por muito tempo.

Mas tenho essa rotina como base: fazer ele acordar cedo e e dormir cedo, assim não fica cansativo, porque eu sempre tive uma rotina de acordar assim, cedinho e ir dormir mais ou menos nesse horário, então, para mim, não mudou tanto assim.




   COMO PRODUZIR COM MAIS QUALIDADE


A primeira coisa que você precisa saber é: qual atividades vai fazer no outro dia.
Isso mesmo, não acorde de manhã e pense: OK. E agora eu faço o que ?

Por isso, antes de encerrar o dia anote na sua agenda ou planner o que é preciso ser feito amanhã.

Outra coisa que funciona bem é no domingo você listar TUDO o que precisa ser feito e distribuir as tarefas na semana.

Veja como funciona melhor para você. Trabalhe com previsibilidade, seu cérebro sofre menos.

DEFINA AS PRIORIDADES DO SEU DIA


Definas as atividades do dia e priorize elas nessa sequencia:
1. É uma demanda que tenho data de entrega
2. É mais trabalhosa
3. Exige bastante atenção

Dessa forma você organiza suas tarefas por ordem de prioridade, e não deixa para fazer algo mega trabalhoso e importante às 21 da noite quando você já está exausta.
Não que nunca vá acontecer, até pode, mas o ideal é que não seja uma constante na sua rotina.

AGRUPE AS TAREFAS IGUAIS OU PARECIDAS

Agrupe num dia só ou período do dia coisas iguais ou parecidas.

Por exemplo: eu organizo a planilha das finanças desse mês e do mês seguinte e vou pagando as contas junto. Assim como organizo o que for preciso desse assunto.

Se você precisa tirar fotos, gravar vídeos, tente fazer vários no mesmo dia ou período do dia.

Isso otimiza muito seu tempo.

DIA DAS PENDÊNCIAS

Defina um momento da semana para organizar as pendências.

Por exemplo: você anotou tarefas de segunda à quinta, já na sexta-feira anotou apenas para sanar as pendências da semana.

Isso ajuda a dar uma "respirada" na sua agenda e não ficar com aquela sensação de ser improdutiva porque das 5 tarefas só conseguiu cumprir 4 naquele dia.

NADA NA CABEÇA: CRIE SEU SISTEMA

Não fique com nada pesando na sua mente: escreva em algum lugar.

Crie o seu sistema de organização. Eu tenho o meu que consiste em: Trello para todos os projetos, Planner físico para as tarefas diárias, Google Calendar para os compromissos com hora marcada e Bloco de Notas do celular para gerir coisas de casa como a lista do mercado ou onde preciso ir quando saio de casa.

Como eu já disse em algum momento: nosso tempo é ainda mais valioso quando somos mães e nossa cabeça é muito afetada, tanto pela privação do sono como o peso da rotina do dia a dia, o cansaço é físico também.

Por isso, ajude sua mente a ser produtiva: faça uma gestão das tarefas, compromissos e lembretes. Tire da sua cabeça, afinal ela tem mais o que fazer do que lembrar que precisa comprar pão.



ÓCIO É PRECIOSO


No meio desse caos ter um tempo de ócio é quase ofensa para a maioria das mães. Mas não tem nada de errado em ficar 10 minutos do seu dia sem querer ser a super mãe a mulher foda que dá conta de tudo.

Peça para alguém ficar com o bebê enquanto você respira um pouco e consiga fazer algo por você.

A primeira coisa que treinei na minha mente antes do Davi nascer foi: eu não serei a super mãe que dá conta de tudo.

Por isso, o marido sabe o papel dele, por isso alguns finais de semana vou na minha mãe para poder dormir, jogar conversa fora, tomar um chimarrão, enquanto eles cuidam do meu filho. E não sinto peso nenhum de culpa em fazer isso.

Eu não preciso estar em cima dele 24h por dia os 7 dias da semana. Eu estou tranquila quanto ao que eu já faço por ele.

Se sua família não está perto escolha bem os padrinhos/madrinhas. Eles servem pra isso: te dar suporte nessa fase deles enquanto bebês e crianças.

Acho que a maiora não entendeu para que servem os padrinhos. Não é para ganhar presente é para ESTAR PRESENTE. é para te ajudar a manter a sua saúde emocional, é para serem uma "extensão" do seu ambiente familiar, um lugar de confiança, amor e diálogo.

TENHA DISCIPLINA E NÃO MOTIVAÇÃO

É normal acordar depois de uma noite cansativa e querer que uma motivação divina caia na sua cabeça.
Porém não funciona assim.

O que me ajuda é pensar "Eu tenho que fazer".
Aí capricho no meu café da manhã e tomo um banho para carregar as energias - depois que amamento meu filho e faço ele dormir novamente, ou antes dele acordar.

Eu sei que nossa jornada é cansativa, mas ela também pode ser leve se pensarmos que temos a liberdade de estar em casa e adaptando a nossa rotina. 

Indiferente de você trabalhar fora ou em casa, é cansativo igual e tem coisas positivas e negativas nas duas formas.

Eu sempre faço uma oração agradecendo pelo dia antes de dormir. Mesmo que ele tenha sido caótico.

A gratidão pode fortalecer nosso emocional, se ele  não for bem cuidado não tem fórmula secreta que dê jeito na nossa rotina.

CONEXÃO EMOCIONAL E ESPIRITUAL

Estar presente.

Eu sempre tive dificuldade em estar presente naquilo que eu fazia.

Se eu estava lavando a louça pensava que deveria estar trabalhando. Se eu estava trabalhando ficava pensando na casa bagunçada.

Agora, aprendi por obrigação mesmo, que quando estamos fazendo algo precisamos estar inteiras ali.

Quando eu estou com meu filho estou 100%. Não tenho pressa.

Pois, todas as vezes que fiquei ansiosa pra ele dormir logo porque eu tinha que trabalhar, ele não dormia, chorava muito, eu sentia ele ansioso também.

Então entendi que nós dois estamos conectados. Afinal, já estávamos assim quando ele estava no meu útero. Ele sentia tudo o que eu sentia. E agora não é diferente.
A conexão emocional de mãe e filho é algo que me surpreendeu.

Então, eu mantenho minha cabeça e meu coração no lugar. E desde que fiz isso os choros diminuiram, as sonecas estão tranquilas e ele acorda sempre sorrindo.

Eu sei que é difícil "esquecer" os compromissos. Mas clientes nós podemos conseguir, a louça suja sempre vai ter, porém esses momentos com nossos pequenos nunca mais voltarão.

E um dia ele vai sair de casa para seguir a vida dele, e o que restará serão nossas histórias, e as memórias que eu criei com ele nessa fase vão estar pra sempre com ele, gravadas no subconsciente.

Penso que, se hoje eu tenho essa possibilidade, de largar tudo e ficar com ele, eu vou aproveitar.

Com o tempo a culpa diminui.



ANTES DO SIM: QUANTO DO MEU TEMPO COMPROMETE?


Eu já fazia isso antes e agora mais ainda.

Antes de dizer sim para qualquer coisa: novo projeto, nova proposta etc eu questiono: quanto do meu tempo compromete?

Porque agora ele é precioso e eu não posso mais usar o discurso do "eu dou um jeito".

Sim, no final a gente dá, mas o preço disso pode ser a exaustão.
E esse preço eu não quero mais pagar.

Uma porque já passei por isso inúmeras vezes e outra porque uma mãe desequilibrada não vai conseguir criar um filho equilibrado.

Eu coloco na ponta do lápis, literalmente, e calculo o tempo necessário (médio) que tal tarefa exige e só depois disso digo sim ou não.

A mentalidade de escassez não pode estar presente nessa hora.

Tanto que abri mão de projetos que eu tinha que eram meus infoprodutos para ser afiliada e vender produto de outras profissionais.

Justamente por conta do tempo envolvido.

Na maternidade, uma simples escolha pode custar nossa saúde mental. E eu tento preservar a minha de toda forma.




POR FIM: É SÓ UMA FASE


Esse é meu mantra nos dias mais difíceis. Repito pra mim mesma: "é só uma fase". Respiro fundo e vivo o que precisa ser vivido.

Se eu tiver que chorar, tudo bem também. Não tenho a obrigação de ser forte.

Tudo o que estamos vivendo agora é para a construção de uma nova mulher, e tudo passa, os momentos bons e os difíceis também.

*****


Ufa! Chegamos ao fim desse artigo que quase virou uma tese de mestrado hahaha

Eu espero ter te ajudado de alguma forma, seja com uma ação prática ou uma mudança de ponto de vista sobre esse tema tão importante e pouco discutido.






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