O que aprendi com o Workshop "Escrita Criativa e Afetuosa" da Ana Holanda

8 horas e meia de viagem entre o sábado e o domingo. Hoje, na volta, meu marido me perguntou: o que te levou a fazer o curso com ela?



Para minha surpresa não demorei em responder. 'Me senti próxima dela' respondi. E continuei: Há alguns meses li seu livro "Como se encontrar na Escrita: o caminho para despertar a escrita afetuosa em você" (Rocco, 2018) e a leitura dele foi tão intensa, profunda e marcante que voltei a escrever meus livros. Voltei a acreditar que a forma que eu pensava sobre a escrita não estava errada, eu só não tinha encontrado ainda o caminho pra isso. Segui ela no Instagram e comecei a divulgar o livro. Para meu espanto ela sempre respondia. Cada stories, cada comentário. Ai eu decidi que precisava ver ela. Eu precisava abraçá-la, pois foi isso que senti ao ler o seu livro.

Apertei o orçamento. Viajei longas horas enfrentando chuva só para chegar lá e ver de perto a pessoa real e humana que ela é. Sem pose, sem rituais, sem tapete vermelho. Eu sentia falta dessa conexão desde.... bem, eu nem me lembro da última vez em que me senti acolhida, amada e inspirada num curso ou treinamento. E poder olhar para quem ensina como uma pessoa comum que apenas tem um olhar diferente das coisas e não alguém inatingível e que fica num pedestal é surpreendente. É raro.

Eu realizei mais de 8 horas de oficina de escrita aprendendo a me reencontrar nela. Aprendendo a escrever com a minha alma, sem ligar para julgamentos, erros ortográficos ou com a plástica linda que um texto de marketing precisa ter.

Regras. Taí uma coisa que me surpreendi.
Não há regras numa escrita afetuosa que não seja despertar no outro aquilo que já está na gente.



Pôr pra fora nossa alma através das palavras é algo tão díficil nos dias de hoje. Numa cultura que diz que não podemos demonstrar fraqueza, afeto e nem sentimentos. Num mercado de trabalho tão competitivo que ninguém olha para o outro que não seja como um concorrente a ser batido. Num contexto familiar que ninguém mais dialoga e muito menos escuta o que o outro tem a dizer. Num caos de rotina de alta performance que joga na fogueira quem comete erros e admite não suportar tamanha pressão.

Aprendi que escrever de forma afetuosa é aprender a afetar alguém, a perpetuar nossa própria história através dessa conexão. Não se trata de sentimentos. Se trata de compreender como a gente é de verdade, o que nos toca para só então querer compreender e tocar o outro.

Numa sala com mais de 30 mulheres dispostas a tirarem a "roupa de domingo" expressão que a Ana usou para se referir a textos cheios de elegância, palavras da moda e chaves persuasivas que no fim das contas dizem um monte de nada e só afastam as pessoas do assunto, o dia todo foi um choque de realidade.

E se você imaginou que um curso de escrita criativa e afetuosa é lotado de gente hippie, tocando harpas e falando de coisas desconexas da vida e da natureza, bem. Não te culpo. É normal endeusar o ato de escrever. É como se fosse um dom e os poucos escolhidos dos deuses conseguem ser escritores renomados. Só eles, os intocados têm o direito às palavras. Bobagem.



Na sala encontrei delegada, promotora, cheff de cozinha, jornalistas, empresárias, publicitárias, psicólogas, arquiteta, gestoras de equipes e etc. Todas procuravam se reencontrar na escrita, seja ela de cunho profissional ou por hobbie. Todas buscavam sentido naquilo que faziam.

Talvez as palavras que, de forma singela, resumiriam o que vivenciei durante o meu sábado seriam conexão e reencontro Eu me reencontrei, de fato. E me conectei com pessoas que se reencontraram e assim, como um elo as palavras foram os agentes transformadores de nossas percepções sobre o mundo.

A Ana nos conduziu até a porta do nosso "eu" mais secreto para vasculhar o que tinha lá dentro. E nunca se sabe o que vamos encontrar lá. Mas nós permitimos. Nós nos permitimos.

Foi doloroso, foi emocionante e trouxe um entendimento maior não apenas sobre escrever, mas sobre olhar para nós e para nossa realidade com outros olhos. Afinal, as coisas nunca são o que parecem ser. E no fim das contas uma foto de uma garrafa de vinho me fez abrir o coração e falar como eu me sentia sobre a minha depressão.

Disse ao meu marido: esse era o único curso que eu realmente precisava ter feito esse ano. Aprendi que querer e precisar são duas coisas bem distintas. Eu quis e fiz muitos cursos nesse ano. O que tocou em mim foi o mais simples e sem cerimônia de todos. Como a própria Ana diz "O extraordinário está no Ordinário das coisas."

Escrever é mesmo colocar a alma no papel. Agora, de fato, me sinto escritora, não apenas de textos e livros, mas da minha própria história.

2 comentários

  1. UM ABRAÇÃO APERTADO, PELA DESCRIÇÃO DO NOSSO AFETUOSO SÁBADO. Obrigada. <3

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    1. Camila, sua linda! Já estou morrendo de saudades. Um beijão, guria!

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