A DOR EM DESISTIR DE ALGO QUE DESEJAMOS


"Somos feitos de nossas dores e perdas." Fabrício Carpinejar.



Essa foto de 2014 foi encontrada nos fósseis dos arquivos do meu computador  e olhando ela novamente pude definir agora o que ela representou pra mim. Foi um momento ruptura, um recomeço e um amadurecimento.





Era novembro de 2015 quando eu estava indo pro terceiro ano estudando sozinha em casa. Eu batalhava diariamente por uma vaga em medicina. Você sabe o quão difícil é vir de escola pública, não ter dinheiro pra cursinho e ter que dividir o tempo entre trabalhar e estudar, ver fracassos atrás de fracassos, notas insuficientes e julgamentos atrás de julgamentos? É complicado. Bem complicado! Ainda mais sem conseguir gerir as emoções de uma forma mais leve.

Eu era uma adolescente virando adulta, no fim das contas. E a gente sabe que essa é uma das fases mais desafiadoras da vida.

Nesse dia eu fiz a coisa mais difícil da vida até aquele momento: desisti.

Desisti de continuar tentando. Cansei. Reconheci que talvez aquilo não fosse pra mim. Era melhor tentar outra coisa.

Meus pais precisavam de ajuda em casa, e a rotina de trabalhar o dia todo e estudar até de madrugada estava me matando. Matando minha essência.

Além da insônia, perda de cabelo e perda de peso nada é comparado à perder pra vida e assumir: tá bom! eu cansei! Desisto. Eu sou uma fracassada!

Mas hoje não vejo o ato de desistir como covardia. É o ato de maior coragem de um ser humano. Desistir de algo que desejava tanto, que batalhou tanto! Haja coragem pra fazer isso!

Foram noites e finais de semana em claro. Inúmeros livros, cadernos, anotações e orações. Hoje? Reconheço que lutei, que fiz o que eu podia naquele momento. Tudo bem desistir. Tudo bem recomeçar. Somos aquilo que fazemos. Somos as nossas escolhas, dores e perdas. Mas somos, acima de tudo aquilo que superamos.

Desistir de alguma coisa causa uma dor tremenda, é frustrante. Mas tem coisas que realmente não fazem sentido. O que acontece é que às vezes vivemos o sonho do outro. Meu maior aprendizado foi que ser médica de fato não era um sonho meu. Eu descobri que podia ajudar as pessoas de outra forma, sem perder minha essência e aproveitando os meus talentos.

A gente precisa se perder às vezes, se reencontrar e olhar pra dentro. Ver que a dor ensina. Ver que tem coisas que a gente só aprende com o tempo.

Se tem uma coisa que momentos como esses causam, sem dúvidas é o aprendizado e o amadurecimento. Amadurecer é tornar algo inexperiente, inseguro e cru em algo belo, reconfortante e gratificante.

A vida é um trem bala. Cada segundo pode definir nossa vida pra sempre. Nossas relações com os outros e conosco. Não é fácil lidar com nossas emoções, mas superar faz parte e viver é uma arte. No fim das contas, a vida não vem com manual e é isso que torna tudo tão mágico.

Milene Farias

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