RESENHA: Christine - Stephen King - Livro e Filme

FICHA TÉCNICA
Título: CHRISTINE
Autor: Stephen King
Editora Suma
Ano: 2013
Páginas: 616

SINOPSE
Arnie Cunnigham era um perdedor. Rosto coberto de espinhas, desajeitado com as garotas, magro demais, passava os dias pelos corredores da escola, tentando fugir da gozação dos colegas.
Isso até Christine entrar em sua vida. Amor à primeira vista. A partir desse dia, o mundo ganha novo sentido.
Tudo o que Arnie quer é estar junto de Christine. Mas não se espere um novo Romeu e Julieta, tratando-se da mente assombrosa de Stephen King.
Christine é um carro.
Um Plymouth Fury 1958. Um feitiço sobre rodas que se apodera de Arnie e faz dele alguém diferente. Há algo poderosamente maligno solto pelas estradas de Libertyville.
Uma força sobrenatural que vai deixando seu rastro de sangue por onde passa. Embarque nessa viagem assustadora e boa sorte.



RESENHA #ByAnna

“Fiquei ali, tentando afastar uma sensação de medo que jamais seria tão amorfa, tão pouco concreta outra vez. Havia algo errado, alguma coisa estava fora do lugar, não combinando. Senti um calafrio, que nem todo aquele brilhante sol de Outubro, que entrava por todas as janelas da escola, conseguia fazer. As coisas eram as mesmas de sempre, mas estavam se preparando para mudar — eu sentia.” Pág 208

Quando Arnie a viu pela primeira vez, se apaixonou perdidamente.
Então ele soube: não teria mais volta.
Arnold Cunningham é um adolescente introvertido e completamente desajustado.
Exageradamente magro e com o rosto repleto de espinhas, ele sofre bullying diariamente na escola.
Seu único amigo é Dennis Guilder, que tem uma boa aparência, joga futebol e faz sucesso com as garotas.
Ainda que muito diferentes, eles se mantêm amigos desde a infância.
Até a chegada de Christine.

Um dia, ao voltar do trabalho, Arnie viu Christine pela primeira vez, um Plymouth Fury 1958 vermelho, e de imediato ficou fascinado.
O carro estava à venda, porém estava em péssimo estado, caindo aos pedaços.
Mas Arnie viu além, e sua obsessão pelo carro nasceu ali, naquele momento.
LeBay, o proprietário, era um velho sinistro, e Dennis que estava junto, sentiu que havia algo errado, tanto no carro, quanto no dono.
Dennis tentou persuadir Arnie a não fechar o negócio, mas foi em vão: a semente já havia sido plantada.

“Certas coisas seriam ditas, mas talvez nunca mais pudessem ser consertadas.” Pág 198
 
Desse momento em diante, Arnie passa a cuidar de Christine fielmente, restaurando cada estrago com muito empenho.
Acontece que assim como seu melhor amigo, e posteriormente sua namorada, Leigh Cabot, sua família também sente que existe algo ruim no carro, e não permite que ele estacione na garagem de casa.
Arnie que sempre foi submisso perante os pais, agora se opõe de forma violenta e passa a desafiá-los constantemente.
Tudo começa a piorar rapidamente, já que sem alternativa, Arnie aluga uma garagem para guardá-la.
Mas a questão é que esse dono da garagem, Darnell, é contrabandista  e está envolvido com várias outras coisas ilegais.

“Se a infância quer dizer aprender a viver, então ser adulto significa aprender a morrer.” Pág 62

Durante o desenvolvimento da história,  Arnie e Christine criam uma estranha e macabra conexão.
Arnie deixa de ser aquele perdedor imaturo, e se torna maligno e assustador, deixando um rastro de horror e morte por onde passa.

“O motor de Christine acelerava e diminuía, acelerava e diminuía. Francamente, como se fizesse parte de um pesadelo de lunático, ele pôde ouvir Elvis Presley cantando Jailhouse Rock.” Pág 355

Stephen King  construiu o livro em primeira pessoa e também em terceira pessoa, o que eu achei genial e deu muito certo.

Quem já leu algo do autor, sabe o quanto ele é detalhista e descreve cada cena com maestria.
E eu gosto disso, porém achei que esse livro teve alguns capítulos excessivos, muita coisa ia e voltava repetidamente como um ioiô.
Ainda assim não deixou a narrativa maçante, eu fiquei envolvida com os acontecimentos do início ao fim.
Acho que eu só queria que Christine não demorasse tanto para agir.
Ainda assim, me apaixonei mais ainda por essa história, que eu só conhecia através do filme.

Avaliação: 5/5 ⭐⭐⭐⭐⭐


Atenção: alguns detalhes mencionados aqui do filme podem conter spoiler do livro.


O FILME
Christine, o carro assassino, foi lançado em Dezembro de 1983 sob a direção de John Carpenter.
Assisti o filme mais de uma vez, e gostei na época, apesar das fracas atuações, incluindo a do Arnie, que eu achei um tanto forçada.
Porém agora que eu li o livro, aconteceu o que eu já esperava: não gosto mais do filme da mesma forma que antes.
Todas as adaptações jamais conseguem ser cem por cento fiéis a obra original, isso é um fato, e com Christine não foi diferente.
As relações dos personagens foram muito superficiais, e vários acontecimentos importantes, ou não foram aprofundados, ou nem se quer mencionados, o que deixou a produção bem enxuta.

No livro, Arnie tem uma acne bem avançada, que é um dos gatilhos de todo o bullying que ele sofre na escola. No filme não existe a acne.
Tanto Leigh e sua aversão por Christine, quanto a mudança de humor e o excesso de agressividade de Arnie com Dennis, acontecem de forma muito rápida e com pouco desenvolvimento.
Também vários personagens secundários, porém  de certa importância, não existiram.

Mas o que mais me incomodou foi a ausência do elemento sobrenatural da história, que praticamente não existiu no filme.
No livro, o cadáver ou espírito do LeBay, aparece com frequência e nos faz pensar que talvez ele originou o mal que há em Christine.
Christine e Arnie são possuídos por LeBay, mas nada disso existe no filme.
Esse fato é o condutor do rumo que a história toma, e é muito importante para ter sido deixado de fora.

De positivo na adaptação, eu gostei muito da cena Inicial, onde mostra como surgiu  Christine e como ela cometeu seu primeiro assassinato.
Cena essa  que não existe  na obra original.
Eu continuo gostando do filme, porém agora, eu o vejo com outros olhos.

Ainda que nada supere o livro, eu gostaria muito de uma nova adaptação para essa história.

****

E aí, gostou da resenha?

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